Se a prova prática OSCE do Revalida fosse completamente imprevisível, a preparação seria quase impossível. Felizmente, não é o caso. A análise de edições anteriores revela que determinados temas e cenários se repetem com alta frequência. Conhecer essas estações é como ter o mapa do tesouro — você sabe exatamente onde focar seu treino.
Neste artigo, detalhamos as 10 estações OSCE mais cobradas no Revalida. Para cada uma, apresentamos o cenário típico, os itens do checklist que o examinador avalia, os erros mais comuns e uma dica de ouro para maximizar sua pontuação.
Dominar essas 10 estações não garante aprovação — mas não dominá-las quase garante reprovação. São os "pontos obrigatórios" da prova prática.
Estação 1: Dor Torácica / Síndrome Coronariana Aguda (CM)
Cenário típico
Homem de 55 anos, hipertenso, diabético e tabagista, chega à emergência com dor torácica opressiva, irradiação para membro superior esquerdo, iniciada há 2 horas, acompanhada de sudorese e náuseas. Apresente sua conduta.
Checklist do examinador
- Apresentou-se e perguntou o nome do paciente
- Caracterizou a dor: início, duração, intensidade, irradiação, fatores de piora/melhora
- Perguntou fatores de risco cardiovascular (HAS, DM, tabagismo, dislipidemia, história familiar)
- Solicitou ECG de 12 derivações
- Solicitou marcadores de necrose miocárdica (troponina)
- Prescreveu AAS 200-300mg mastigável
- Prescreveu clopidogrel ou ticagrelor
- Prescreveu heparina (enoxaparina ou HNF)
- Prescreveu nitrato sublingual (se não contraindicado)
- Realizou estratificação de risco (TIMI, GRACE ou HEART)
- Definiu necessidade de reperfusão (ICP ou trombolítico)
- Monitorizou e solicitou acesso venoso
Erros comuns
- Não solicitar ECG precocemente (deve ser feito nos primeiros 10 minutos).
- Esquecer o AAS — é a medida mais importante e mais esquecida.
- Prescrever nitrato em paciente com uso de sildenafila (perguntar!).
- Não estratificar risco — a banca quer saber se você sabe classificar.
Use o mnemônico MONAB: Morfina (se dor refratária), Oxigênio (se SatO2 < 94%), Nitrato, AAS, Betabloqueador. Na prova, verbalize cada passo: "Vou solicitar um ECG de urgência enquanto inicio a conduta com AAS mastigável."
Estação 2: Pré-eclâmpsia / Eclâmpsia (GO)
Cenário típico
Gestante de 32 semanas, 28 anos, G1P0, chega com PA 160x110 mmHg, cefaleia occipital, edema generalizado e proteinúria 3+ na fita. Realize a avaliação e defina a conduta.
Checklist do examinador
- Identificou pré-eclâmpsia grave (PA ≥ 160x110 + sintomas)
- Perguntou sobre sinais de iminência de eclâmpsia (cefaleia, escotomas, epigastralgia)
- Solicitou exames: hemograma, plaquetas, creatinina, TGO/TGP, LDH, ácido úrico, proteinúria 24h
- Prescreveu sulfato de magnésio (esquema Zuspan: ataque 4g IV + manutenção 1-2g/h)
- Citou monitorização de toxicidade do MgSO4 (reflexo patelar, FR, diurese)
- Mencionou antídoto (gluconato de cálcio 10%)
- Prescreveu anti-hipertensivo (hidralazina IV ou nifedipino VO)
- Avaliou maturidade fetal e necessidade de corticoide (betametasona se < 34 semanas)
- Definiu via de parto e indicação de interrupção da gestação
- Comunicou-se adequadamente com a paciente
Erros comuns
- Confundir esquema Zuspan com Pritchard (ambos são aceitos, mas saiba as doses).
- Esquecer de monitorar sinais de toxicidade do magnésio.
- Não indicar interrupção da gestação quando critérios estão presentes.
- Prescrever IECA/BRA (contraindicados na gestação!).
Sempre verbalize: "Vou iniciar sulfato de magnésio para prevenção de convulsões e monitorar reflexo patelar, frequência respiratória e diurese a cada hora." Isso cobre vários itens do checklist de uma só vez.
Estação 3: Apendicite / Abdome Agudo (CIR)
Cenário típico
Homem de 25 anos com dor abdominal periumbilical há 12 horas que migrou para fossa ilíaca direita, febre 38,2°C, náuseas. Realize o exame abdominal e defina a conduta.
Checklist do examinador
- Realizou inspeção do abdome
- Realizou ausculta antes da palpação (sequência correta)
- Palpou os 4 quadrantes, começando pelo quadrante menos doloroso
- Pesquisou sinal de Blumberg (descompressão brusca em FID)
- Pesquisou sinal de Rovsing (dor em FID ao comprimir FIE)
- Pesquisou sinal do psoas e do obturador
- Formulou hipótese de apendicite aguda
- Citou diagnósticos diferenciais (linfadenite mesentérica, torção de testículo, Meckel)
- Solicitou exames: hemograma, PCR, parcial de urina, US abdome ou TC
- Indicou apendicectomia (cirurgia)
- Prescreveu antibioticoprofilaxia
- Orientou paciente sobre o procedimento
Erros comuns
- Palpar primeiro o quadrante doloroso (gera defesa e dificulta o exame).
- Esquecer de auscultar antes de palpar.
- Não pesquisar sinais clássicos (Blumberg, Rovsing).
- Pedir muitos exames desnecessários — o diagnóstico de apendicite é clínico.
Na estação de abdome agudo, demonstre o exame físico de forma sistemática: inspeção, ausculta, percussão, palpação superficial, palpação profunda, manobras especiais. Verbalizar cada etapa garante pontos mesmo que o achado clínico não seja claro.
Estação 4: Bronquiolite / Desidratação (PED)
Cenário típico
Lactente de 8 meses, previamente hígido, com coriza há 3 dias, evoluindo com tosse, taquipneia (FR 55), tiragem subcostal, sibilância e recusa alimentar. Mãe refere 4 episódios de diarreia hoje. Avalie e conduza.
Checklist do examinador
- Avaliou sinais de desconforto respiratório (FR, tiragem, batimento de asa nasal)
- Diagnosticou bronquiolite viral aguda
- Citou agente etiológico principal (VSR — Vírus Sincicial Respiratório)
- Avaliou grau de desidratação (sinais: olhos fundos, prega cutânea, mucosas, fontanela)
- Classificou desidratação (Plano A, B ou C da OMS)
- Prescreveu hidratação adequada (SRO ou venosa conforme gravidade)
- Orientou sobre tratamento de suporte (aspiração nasal, elevação da cabeceira)
- Não prescreveu broncodilatador de rotina (evidência fraca na bronquiolite)
- Definiu critérios de internação (SatO2 < 92%, recusa alimentar, desidratação)
- Orientou sinais de alarme para a mãe
Erros comuns
- Prescrever broncodilatador ou corticoide na bronquiolite (não recomendado rotineiramente).
- Não avaliar o grau de desidratação — a diarreia associada exige essa avaliação.
- Esquecer de perguntar sobre aleitamento materno e situação vacinal.
Na pediatria, sempre pergunte: "A criança está mamando normalmente?" e "A vacinação está em dia?" Esses itens estão no checklist e são rápidos de pontuar. Além disso, avalie marcos do desenvolvimento se o cenário permitir.
Estação 5: Puericultura (MFC)
Cenário típico
Mãe traz lactente de 6 meses para consulta de rotina na UBS. Criança em aleitamento materno exclusivo, sem queixas. Realize a consulta de puericultura.
Checklist do examinador
- Verificou calendário vacinal (aos 6 meses: 3ª dose de penta, VIP e pneumo 10)
- Avaliou aleitamento materno e orientou introdução alimentar (a partir dos 6 meses)
- Verificou suplementação de ferro (iniciar aos 6 meses se AME até então)
- Verificou suplementação de vitamina D
- Avaliou curva de crescimento (peso, comprimento, PC)
- Avaliou marcos do desenvolvimento (sentar com apoio, pegar objetos, balbuciar)
- Realizou exame físico direcionado (fontanela, abdome, quadril)
- Orientou prevenção de acidentes (quedas, aspiração, queimaduras)
- Perguntou sobre sono, higiene e ambiente familiar
- Agendou próximo retorno
Erros comuns
- Não saber o calendário vacinal brasileiro atualizado (PNI).
- Esquecer a suplementação de ferro profilático.
- Não orientar a introdução alimentar corretamente (papa de fruta e papa salgada).
- Pular a avaliação de marcos do desenvolvimento.
Decore o calendário vacinal do PNI e os marcos do desenvolvimento por faixa etária. Essas são informações que você ou sabe de cor ou não consegue improvisar em 10 minutos. Faça flashcards e revise diariamente na semana antes da prova.
Treine essas estações com paciente virtual IA
Na Aprova na MED, você pratica cada uma dessas 10 estações com um paciente virtual que responde como ator real. Um examinador IA avalia seu desempenho com checklist idêntico ao da prova. Treine quantas vezes quiser.
Treinar AgoraEstação 6: Acidente Vascular Cerebral (CM)
Cenário típico
Mulher de 68 anos, hipertensa, chega à emergência com hemiparesia direita e afasia de início súbito há 2 horas. PA 190x100 mmHg. Avalie e conduza o caso.
Checklist do examinador
- Reconheceu quadro sugestivo de AVC
- Aplicou escala de Cincinnati ou NIHSS
- Solicitou TC de crânio sem contraste de urgência
- Diferenciou AVC isquêmico de hemorrágico
- Avaliou janela para trombólise (até 4,5h do início dos sintomas)
- Citou critérios de inclusão/exclusão para alteplase
- Definiu meta de PA para trombólise (< 185x110)
- Solicitou glicemia capilar (descartar hipoglicemia como diagnóstico diferencial)
- Solicitou exames complementares (hemograma, coagulograma, ECG)
- Acionou protocolo de AVC / equipe multiprofissional
Erros comuns
- Não solicitar TC de crânio antes de definir conduta.
- Tentar tratar a PA agressivamente antes da TC (pode ser hemorrágico).
- Esquecer de verificar a glicemia — hipoglicemia mimetiza AVC.
- Não saber a janela de trombólise (4,5 horas).
Verbalize o tempo: "O paciente está dentro da janela de 4,5 horas para trombólise. Vou solicitar TC de crânio de urgência para descartar hemorragia antes de iniciar alteplase." Demonstrar consciência temporal impressiona o examinador.
Estação 7: Trabalho de Parto (GO)
Cenário típico
Gestante de 39 semanas, G2P1, chega com contrações regulares a cada 3 minutos, duração de 50 segundos. Colo com 6cm de dilatação, bolsa íntegra. Avalie o trabalho de parto e defina conduta.
Checklist do examinador
- Confirmou trabalho de parto ativo (contrações regulares + dilatação ≥ 4cm)
- Realizou ou descreveu toque vaginal: dilatação, apagamento, apresentação, plano de De Lee
- Avaliou vitalidade fetal (BCF — batimentos cardíacos fetais)
- Confeccionou ou interpretou partograma
- Identificou fase do trabalho de parto (ativa)
- Descreveu conduta expectante (evolução natural) vs. intervenções
- Orientou sobre analgesia de parto quando solicitada
- Identificou sinais de sofrimento fetal (se presente no cenário)
- Definiu critérios para amniotomia
- Comunicou-se com a paciente e acompanhante
Erros comuns
- Não saber usar/interpretar o partograma.
- Indicar cesariana precocemente sem indicação.
- Esquecer de avaliar BCF regularmente.
- Não respeitar a autonomia da paciente (direito ao acompanhante, por exemplo).
O partograma é item de checklist em quase toda estação de trabalho de parto. Saiba preenchê-lo (dilatação, descida, tempo, contrações) e interpretar a linha de alerta e a linha de ação. Treine preenchendo partogramas fictícios até ser automático.
Estação 8: Trauma (CIR)
Cenário típico
Homem de 30 anos, vítima de acidente motociclístico, chega à emergência consciente, PA 80x50 mmHg, FC 120 bpm, escoriações múltiplas, dor abdominal difusa. Realize o atendimento inicial.
Checklist do examinador
- Iniciou atendimento pelo ABCDE do ATLS
- A: via aérea pérvia com controle de coluna cervical
- B: avaliou respiração (FR, ausculta bilateral, saturação)
- C: identificou choque hipovolêmico classe III (PA baixa, FC alta)
- Estabeleceu 2 acessos venosos calibrosos e iniciou reposição volêmica com cristaloide
- D: avaliou nível de consciência (Glasgow)
- E: expôs o paciente e preveniu hipotermia
- Solicitou FAST ou LPD para avaliação abdominal
- Classificou o choque e indicou hemotransfusão se necessário
- Indicou laparotomia exploradora se FAST positivo com instabilidade
- Solicitou exames (tipagem, hemograma, Rx tórax e pelve)
Erros comuns
- Não seguir o ABCDE na ordem correta — pular para o C sem avaliar A e B.
- Esquecer o controle de coluna cervical no A.
- Não classificar o grau do choque (classes I-IV do ATLS).
- Iniciar com coloides em vez de cristaloide.
Na estação de trauma, verbalize cada letra do ABCDE em voz alta: "Vou iniciar pelo A — via aérea pérvia, mantenho colar cervical. Agora B — paciente ventilando espontaneamente, murmúrio vesicular presente bilateral." Isso garante que o examinador marque cada item do checklist.
Estação 9: Pneumonia Adquirida na Comunidade (CM)
Cenário típico
Idoso de 72 anos, com tosse produtiva há 5 dias, febre 38,8°C, dispneia, crepitações em base direita. Sem comorbidades descompensadas. Avalie e defina conduta.
Checklist do examinador
- Realizou anamnese respiratória completa (início, duração, características da tosse, expectoração)
- Avaliou sinais vitais e saturação de oxigênio
- Realizou ausculta pulmonar adequada
- Diagnosticou pneumonia adquirida na comunidade (PAC)
- Aplicou escore de gravidade (CURB-65 ou CRB-65)
- Solicitou radiografia de tórax
- Solicitou exames laboratoriais (hemograma, PCR, ureia, creatinina)
- Definiu local de tratamento (ambulatorial, enfermaria ou UTI) com base no CURB-65
- Prescreveu antibiótico adequado (amoxicilina + clavulanato ou macrolídeo, conforme gravidade)
- Orientou sobre sinais de alarme e retorno
Erros comuns
- Não aplicar o CURB-65 (a banca quer ver estratificação de risco).
- Prescrever antibiótico inadequado para a gravidade.
- Esquecer de avaliar a saturação — define necessidade de O2.
- Não considerar internação em idoso com CURB-65 ≥ 2.
Decore o CURB-65: Confusão mental, Ureia > 50, Respiração ≥ 30, PA (Blood pressure) < 90x60, idade ≥ 65. Cada critério = 1 ponto. 0-1 = ambulatório, 2 = internação, 3+ = UTI. Verbalize a pontuação na estação.
Estação 10: HAS / DM na Atenção Primária (MFC)
Cenário típico
Paciente de 52 anos, atendimento na UBS, diagnóstico prévio de HAS e DM tipo 2. Vem para consulta de acompanhamento. PA 150x95 mmHg, glicemia de jejum 180 mg/dL, HbA1c 8,2%. Realize a consulta.
Checklist do examinador
- Perguntou sobre adesão ao tratamento (medicações, dieta, exercício)
- Avaliou efeitos colaterais das medicações em uso
- Verificou exames de rotina (função renal, lipídios, fundo de olho, microalbuminúria)
- Avaliou risco cardiovascular
- Ajustou tratamento anti-hipertensivo (meta < 130x80 em DM)
- Ajustou tratamento do DM (HbA1c acima da meta — escalonar)
- Orientou sobre dieta (redução de sódio, DASH, controle de carboidratos)
- Orientou sobre atividade física (150 min/semana)
- Avaliou pés diabéticos (exame com monofilamento)
- Solicitou ou verificou rastreamento de retinopatia
- Orientou sobre sinais de hipo/hiperglicemia
- Demonstrou abordagem centrada na pessoa
Erros comuns
- Não examinar os pés — o exame do pé diabético é item obrigatório.
- Não saber as metas de PA e HbA1c para pacientes diabéticos.
- Focar apenas em medicação sem orientar mudança de estilo de vida.
- Não verificar adesão antes de escalonar tratamento.
Na estação de APS, demonstre abordagem centrada na pessoa: pergunte sobre o dia a dia do paciente, suas dificuldades com a dieta, barreiras para tomar medicação. A banca valoriza quando o candidato não se limita à prescrição e mostra compreensão do contexto biopsicossocial.
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Iniciar Treino OSCEConclusão
Essas 10 estações representam o "núcleo duro" da prova prática do Revalida. Dominá-las exige não apenas conhecimento teórico, mas prática repetida em condições similares às da prova. A boa notícia é que os cenários são previsíveis e os checklists seguem padrões consistentes.
Monte um plano de treino que cubra todas as 10 estações pelo menos 3-5 vezes cada. Use colegas, pacientes virtuais IA ou até o espelho — qualquer prática é melhor que nenhuma. Na hora da prova, a diferença entre aprovação e reprovação frequentemente está nos detalhes: se apresentar ao paciente, lavar as mãos, verbalizar o raciocínio, perguntar se há dúvidas.
Treine como se fosse real. Na prova, será automático.