Infectologia no Revalida: Panorama Geral

A Infectologia e uma das areas mais cobradas no Revalida INEP, refletindo a realidade epidemiologica brasileira. O Brasil tem alta prevalencia de tuberculose, dengue e HIV, e o INEP espera que o medico revalidando domine os protocolos do Ministerio da Saude.

Nas provas de 2022.2 a 2025.1, temas de infectologia representaram entre 12% e 18% das questoes objetivas. Na OSCE, cenarios de aconselhamento para HIV, manejo de dengue com sinais de alarme e investigacao de tuberculose sao recorrentes.

O diferencial do Revalida em infectologia e a cobranca de protocolos brasileiros especificos — esquema RIPE, TARV pelo PCDT, classificacao de dengue da OMS adaptada pelo MS. Guias internacionais podem diferir dos brasileiros, entao atencao.

Importante

O Revalida segue os protocolos do Ministerio da Saude do Brasil. Se voce estudou por guias de outro pais (Harrison, Mandell), revise as diferencas nos esquemas terapeuticos brasileiros.

Tuberculose: Esquema RIPE e Diagnostico

A tuberculose (TB) e o tema de infectologia mais cobrado no Revalida. O INEP cobra diagnostico, esquema RIPE, indicacoes de tratamento de infeccao latente (ILTB) e situacoes especiais.

Diagnostico

TB pulmonar: tosse ≥ 3 semanas + baciloscopia de escarro (BAAR) ou teste rapido molecular (TRM-TB/GeneXpert). O TRM-TB e o exame de escolha na rede publica brasileira — detecta M. tuberculosis E resistencia a rifampicina em 2 horas.

Radiografia de torax: infiltrado em lobos superiores, cavitacoes, padrao miliar. Na TB primaria (criancas): adenopatia hilar + condensacao.

Esquema RIPE

FaseDuracaoDrogasDoses (adulto)
Intensiva2 mesesRIPE (Rifampicina + Isoniazida + Pirazinamida + Etambutol)R 600mg + H 300mg + Z 1600mg + E 1100mg
Manutencao4 mesesRI (Rifampicina + Isoniazida)R 600mg + H 300mg

Duracao total: 6 meses (2RIPE + 4RI). Em TB meningea: 12 meses (2RIPE + 10RI) + corticoide. Em TB osteoarticular: 12 meses.

Teste tuberculinico (PPD) e ILTB

PPD ≥ 5mm: positivo em imunodeprimidos e contactantes. PPD ≥ 10mm: positivo na populacao geral. Tratamento de ILTB: isoniazida 270 doses (9 meses) ou rifampicina 120 doses (4 meses — preferida em >50 anos e hepatopatas).

Pegadinha do INEP

PPD nao diferencia TB ativa de ILTB e nao serve para diagnostico de TB doenca. Vacinacao BCG pode causar PPD positivo, mas valores ≥10mm em adultos geralmente indicam infeccao verdadeira.

HIV/AIDS: TARV e Infeccoes Oportunistas

O HIV/AIDS e cobrado no Revalida em multiplas dimensoes: indicacao de TARV, profilaxia de infeccoes oportunistas, aconselhamento pre e pos-teste e condutas na gestante HIV+.

Quando iniciar TARV

No Brasil, a TARV e indicada para TODOS os pacientes com HIV, independentemente do CD4 ou carga viral. O esquema inicial preferencial (PCDT 2024) e: Tenofovir (TDF) + Lamivudina (3TC) + Dolutegravir (DTG) — dose fixa combinada em comprimido unico.

Infeccoes oportunistas por faixa de CD4

CD4Infeccao OportunistaProfilaxia Primaria
< 200Pneumocistose (PCP)Sulfametoxazol-trimetoprima (SMX-TMP)
< 200Toxoplasmose cerebralSMX-TMP (mesma dose da PCP)
< 100Criptococose meningeaSem profilaxia primaria de rotina
< 50MAC (Mycobacterium avium)Azitromicina semanal
QualquerTuberculose (se ILTB+)Isoniazida ou rifampicina

Na OSCE, o cenario classico e um paciente HIV+ com cefaleia e confusao mental. O diagnostico diferencial inclui neurotoxoplasmose (lesoes com realce anelar na TC, CD4 <200) e neurocriptococose (pressao de abertura elevada no LCR, tinta da China positiva).

Dica de prova

Na neurotoxoplasmose, o tratamento e empirico com sulfadiazina + pirimetamina + acido folinico. Biopsia so se nao houver resposta em 14 dias. O Revalida cobra essa conduta frequentemente.

Gestante HIV+: manter TARV durante toda a gestacao. AZT IV intraparto se CV >1000 ou desconhecida. Via de parto: cesarea eletiva se CV >1000 na 34a semana; vaginal se CV indetectavel. RN: AZT xarope por 4 semanas + nevirapina (3 doses).

Dengue: Classificacao e Sinais de Alarme

A dengue e um tema obrigatorio no Revalida, refletindo a realidade endemica brasileira. O INEP cobra a classificacao de gravidade, os sinais de alarme e o manejo hidrico.

Classificacao (OMS adaptada pelo MS)

GrupoClassificacaoConduta
ADengue sem sinais de alarme, sem comorbidadesHidratacao oral 60mL/kg/dia, acompanhamento ambulatorial
BDengue sem sinais de alarme, COM comorbidades ou risco socialHidratacao oral supervisionada, hemograma, observacao
CDengue COM sinais de alarmeHidratacao IV 20mL/kg em 2h, internacao, reavaliacao clinica
DDengue grave (choque, hemorragia grave, orgao grave)Hidratacao IV 20mL/kg em 20min (expansao rapida), UTI

Sinais de alarme (decorar!)

O periodo critico da dengue e entre o 3o e 7o dia — coincide com a defervescencia (queda da febre). E nesse momento que ocorre o extravasamento plasmatico e o risco de choque. O Revalida adora questoes sobre manejo nesse periodo.

NUNCA usar

AAS e anti-inflamatorios (ibuprofeno, diclofenaco) sao CONTRAINDICADOS na dengue pelo risco de hemorragia. Antipiretico de escolha: paracetamol ou dipirona. Essa e uma pegadinha classica.

Na prova pratica (OSCE), o cenario tipico e um paciente com febre ha 5 dias que chega com dor abdominal e plaquetopenia. O examinador espera que voce identifique os sinais de alarme, classifique corretamente e inicie hidratacao venosa.

Meningite: Analise de LCR e Conduta

A meningite e cobrada no Revalida principalmente pela analise do liquor cefalorraquidiano (LCR). O INEP apresenta os dados do LCR e espera que voce diferencie meningite bacteriana, viral e tuberculosa.

ParametroBacterianaViralTuberculosa
AspectoTurvo / purulentoLimpo / claroLimpo ou opalescente
Celularidade>500 (neutrofilos)<500 (linfocitos)100-500 (linfocitos)
ProteinasMuito elevadas (>100)Normal ou pouco elevadasElevadas (100-500)
GlicoseMuito baixa (<40)NormalBaixa (<40)
LactatoElevado (>3,5)NormalElevado
BacterioscopiaPositiva (60-80%)NegativaBAAR (raramente +)

Conduta na meningite bacteriana

Tratamento empirico ate resultado de cultura. Em adultos: ceftriaxona 2g IV 12/12h. Se suspeita de Listeria (idosos, imunodeprimidos, gestantes): adicionar ampicilina. Dexametasona 0,15mg/kg 6/6h iniciada 15-20 minutos ANTES do antibiotico (reduz sequelas).

Em criancas de 1-3 meses: ceftriaxona + ampicilina. Acima de 3 meses: ceftriaxona. Neonatos (<1 mes): ampicilina + gentamicina (ou cefotaxima).

Notificacao e quimioprofilaxia

Meningite meningococica e de notificacao compulsoria IMEDIATA. Quimioprofilaxia com rifampicina para contactantes intimos (domiciliares, creche). Alternativa: ceftriaxona dose unica IM (gestantes).

Na OSCE, o cenario pode incluir uma puncao lombar simulada. O examinador avalia se voce indica o exame corretamente, conhece as contraindicacoes (hipertensao intracraniana com sinais focais — fazer TC antes) e interpreta o resultado.

ISTs e Hepatites Virais

As infeccoes sexualmente transmissiveis (ISTs) e as hepatites virais completam o quadro de infectologia no Revalida. O INEP cobra diagnostico, tratamento e, principalmente, abordagem sindromica.

Sifilis

A sifilis e a IST mais cobrada no Revalida. Classificacao: primaria (cancro duro), secundaria (roséolas, condiloma plano), latente (recente <1 ano, tardia >1 ano) e terciaria (goma, aneurisma aortico, tabes dorsalis).

EstagioTratamentoSeguimento
Primaria, secundaria ou latente recentePenicilina G benzatina 2,4 milhoes UI IM dose unicaVDRL trimestral por 1 ano
Latente tardia ou indeterminadaPenicilina G benzatina 2,4 milhoes UI IM 3 doses (1x/semana)VDRL trimestral por 2 anos
NeurossifilisPenicilina G cristalina 4 milhoes UI IV 4/4h por 14 diasLCR a cada 6 meses

Hepatites Virais

Hepatite A: transmissao fecal-oral, autolimitada, vacina no calendario infantil. Hepatite B: transmissao sexual/sanguinea, marcadores (HBsAg, Anti-HBs, Anti-HBc, HBeAg), tratamento com tenofovir ou entecavir se indicado. Hepatite C: transmissao sanguinea, cura >95% com DAAs (sofosbuvir + daclatasvir ou ledipasvir), rastreamento em >40 anos.

Interpretacao de sorologias de Hepatite B

HBsAg+ / Anti-HBc IgM+ = infeccao aguda. HBsAg+ / Anti-HBc IgG+ / Anti-HBs- = infeccao cronica. HBsAg- / Anti-HBc+ / Anti-HBs+ = imunidade por infeccao previa. HBsAg- / Anti-HBc- / Anti-HBs+ = imunidade por vacina.

O Revalida cobra com frequencia a interpretacao de sorologias de hepatite B — pratique com questoes. A abordagem sindromica de corrimento uretral (gonococo + clamídia) e ulcera genital (sifilis vs herpes vs cancro mole) tambem e recorrente.

Estrategia de Estudo para Infectologia

A infectologia no Revalida e previsivel. Os mesmos temas se repetem com pequenas variacoes. Monte seu cronograma priorizando os de maior incidencia.

  1. Semana 1: Tuberculose (esquema RIPE, ILTB, situacoes especiais) + HIV/AIDS (TARV, IO, gestante)
  2. Semana 2: Dengue (classificacao, sinais de alarme, hidratacao) + Meningite (LCR, conduta empirica)
  3. Semana 3: ISTs (sifilis, abordagem sindromica) + Hepatites virais (sorologias HBV, DAAs para HCV) + Revisao com simulados

Foque nos protocolos do Ministerio da Saude. O Revalida cobra o que esta nos PCDT (Protocolos Clinicos e Diretrizes Terapeuticas), nao em guidelines internacionais.

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Resumo dos pontos-chave

TB: esquema RIPE 6 meses, TRM-TB como exame de escolha. HIV: TARV para todos (TDF+3TC+DTG), profilaxia de IO por CD4. Dengue: sinais de alarme e hidratacao. Meningite: analise de LCR. Sifilis: penicilina benzatina. Hepatite B: sorologias.