- Peso da Pediatria na Prova
- Puericultura: Consultas de Rotina e Marcos do Desenvolvimento
- Desidratação: Classificação e Tratamento
- Bronquiolite e Asma na Infância
- Pneumonia na Infância
- Meningite
- Convulsão Febril
- Icterícia Neonatal
- Estações OSCE de Pediatria Mais Comuns
- Checklist do Examinador em Pediatria
- Dicas de Comunicação com os Pais
A Pediatria é uma das áreas de maior peso no Revalida INEP, correspondendo a aproximadamente 18-20% da prova, tanto na fase objetiva quanto na prova prática OSCE. É uma especialidade que exige não apenas conhecimento clínico sólido, mas também habilidades de comunicação específicas — afinal, no Revalida, você não atende apenas a criança, mas toda a família.
Este guia cobre os temas pediátricos mais cobrados, com foco nos casos clínicos que aparecem com maior frequência nas estações OSCE e na prova teórica.
Peso da Pediatria na Prova
Na análise das últimas 6 edições do Revalida (2022.1 a 2025.1), a Pediatria aparece consistentemente como uma das 4 grandes áreas:
| Área | Peso Aproximado |
|---|---|
| Clínica Médica | 25-30% |
| Cirurgia | 15-18% |
| Pediatria | 18-20% |
| Ginecologia e Obstetrícia | 18-20% |
| MFC / Saúde Coletiva | 15-18% |
Na prova prática OSCE, tipicamente 2 a 3 estações das 10-12 totais envolvem cenários pediátricos, o que torna a Pediatria decisiva para a aprovação.
Puericultura: Consultas de Rotina e Marcos do Desenvolvimento
A puericultura é o tema pediátrico mais cobrado no Revalida, aparecendo em praticamente todas as edições. O examinador avalia se você sabe conduzir uma consulta de rotina da criança saudável.
Marcos do desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM)
| Idade | Motor Grosseiro | Motor Fino | Linguagem | Social |
|---|---|---|---|---|
| 2 meses | Sustenta a cabeça brevemente | Acompanha objeto 180° | Vocaliza | Sorriso social |
| 4 meses | Sustenta a cabeça firme | Pega objetos | Ri alto | Reconhece cuidador |
| 6 meses | Senta com apoio | Transfere objetos entre mãos | Balbucia | Estranha desconhecidos |
| 9 meses | Senta sem apoio, engatinha | Pinça inferior | Fala mama/dada inespecífico | Acena, bate palma |
| 12 meses | Fica em pé com apoio | Pinça superior | 2-3 palavras com sentido | Aponta o que quer |
| 18 meses | Anda sem apoio | Torre de 3 cubos | 10 palavras, frases simples | Brinca sozinho |
| 2 anos | Corre, sobe escada | Torre de 6 cubos | Frases de 2 palavras | Brinca em paralelo |
Calendário vacinal
O calendário vacinal do PNI (Programa Nacional de Imunizações) é cobrado com frequência. Os pontos mais importantes:
- BCG: Dose única ao nascer
- Hepatite B: Ao nascer + esquema com Penta (2, 4, 6 meses)
- Penta (DTP + HB + Hib): 2, 4 e 6 meses
- VIP/VOP: VIP aos 2 e 4 meses; VOP aos 6 e 15 meses + campanhas
- Pneumo 10: 2, 4 meses + reforço aos 12 meses
- Meningo C: 3, 5 meses + reforço aos 12 meses
- Tríplice viral (SCR): 12 e 15 meses
- Febre amarela: 9 meses + reforço aos 4 anos
O Revalida cobra o calendário do PNI (SUS), não calendários de sociedades médicas (SBP, SBIm). Foque no calendário público. As diferenças mais cobradas: VIP vs VOP, quando usar Penta vs DTP, contraindicações de BCG.
Alimentação
- 0-6 meses: Aleitamento materno exclusivo (AME)
- 6 meses: Introdução alimentar complementar (papa de frutas e papa principal)
- Até 2 anos: Manter aleitamento materno + alimentação complementar
- Suplementação: Ferro profilático (1 mg/kg/dia) dos 6 aos 24 meses; Vitamina D (400 UI/dia) até 12 meses
Desidratação: Classificação e Tratamento
A desidratação por diarreia aguda é um cenário clássico de estação OSCE e prova objetiva. O manejo segue os planos A, B e C do Ministério da Saúde.
Classificação da desidratação
| Parâmetro | Sem Desidratação | Alguma Desidratação | Desidratação Grave |
|---|---|---|---|
| Estado geral | Alerta | Irritada, sedenta | Letárgica, inconsciente |
| Olhos | Normais | Fundos | Muito fundos |
| Lágrimas | Presentes | Ausentes | Ausentes |
| Sede | Bebe normal | Sedenta, bebe avidamente | Não consegue beber |
| Sinal da prega | Desaparece rápido | Desaparece lentamente | Desaparece muito lentamente (>2s) |
| Pulso | Cheio | Rápido | Fraco ou ausente |
| Perda de peso | <5% | 5-10% | >10% |
Planos de tratamento
- Plano A (sem desidratação): TRO domiciliar, manter alimentação, SRO após cada evacuação (50-100 mL para <1 ano; 100-200 mL para >1 ano). Orientar sinais de alarme.
- Plano B (alguma desidratação): TRO na unidade de saúde. SRO: 75 mL/kg em 4 horas. Reavaliar após 4 horas.
- Plano C (desidratação grave): Hidratação venosa. Fase de expansão: SF 0,9% 20 mL/kg em 30 min, repetir até 3x. Depois fase de manutenção + reposição.
Bronquiolite e Asma na Infância
Bronquiolite viral aguda (BVA)
A bronquiolite é a infecção respiratória mais comum em lactentes, causada principalmente pelo vírus sincicial respiratório (VSR). Aparece frequentemente no Revalida.
- Idade típica: <2 anos (pico: 2-6 meses)
- Quadro clínico: Pródromos de IVAS (coriza, tosse) seguidos de desconforto respiratório, sibilância, taquipneia, tiragem
- Diagnóstico: Clínico. Rx de tórax: hiperinsuflação, atelectasias
- Tratamento: Suporte! Hidratação, oxigenoterapia se SatO2 <92%, aspiração de VAS. NÃO usar: broncodilatadores de rotina, corticoides, antibióticos (exceto se infecção bacteriana secundária)
- Internação: <3 meses, prematuros, desconforto respiratório moderado/grave, apneia, incapacidade de se alimentar
Asma na infância
- Diagnóstico: Clínico em <6 anos (episódios recorrentes de sibilância). Em >6 anos: espirometria com prova broncodilatadora
- Classificação: Intermitente, persistente leve, moderada e grave
- Tratamento de manutenção: Corticoide inalatório (beclometasona, budesonida) é a base. Associar LABA se necessário.
- Crise asmática: Beta-2 de curta (salbutamol) inalatório a cada 20 min (3 doses) + corticoide sistêmico (prednisolona 1-2 mg/kg)
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A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é tema obrigatório no Revalida. A abordagem pediátrica segue a classificação da OMS/MS.
Classificação e conduta
| Classificação | Critério | Conduta |
|---|---|---|
| Pneumonia (sem gravidade) | Taquipneia isolada, sem tiragem | Amoxicilina 50 mg/kg/dia VO, 7-10 dias. Ambulatorial. |
| Pneumonia grave | Tiragem subcostal | Internação. Penicilina cristalina IV ou Ampicilina IV. |
| Pneumonia muito grave | Cianose, incapacidade de beber, convulsão, estridor em repouso | UTI. Oxalacilina + Ceftriaxona IV. |
Taquipneia por faixa etária
- <2 meses: FR ≥ 60 irpm
- 2-12 meses: FR ≥ 50 irpm
- 1-5 anos: FR ≥ 40 irpm
- >5 anos: FR ≥ 20 irpm
Meningite
A meningite bacteriana na infância é um tema de emergência pediátrica que aparece tanto na prova objetiva quanto no OSCE.
Suspeita clínica
- Lactentes: Febre, irritabilidade, fontanela abaulada, recusa alimentar, vômitos, convulsões. Sinais meníngeos podem estar ausentes!
- Crianças maiores: Febre alta, cefaleia intensa, vômitos em jato, rigidez de nuca, sinais de Kernig e Brudzinski positivos
- Petéquias/púrpura: Pensar em meningococcemia — emergência absoluta
Conduta
- Estabilização clínica (ABC)
- Antibioticoterapia empírica IMEDIATA (não esperar resultado de LCR):
- <3 meses: Ampicilina + Cefotaxima (ou Gentamicina)
- 3 meses - 5 anos: Ceftriaxona
- >5 anos: Ceftriaxona
- Dexametasona 0,15 mg/kg IV 15-20 min ANTES do ATB (reduz sequelas, especialmente surdez por H. influenzae)
- Punção lombar (se não houver contraindicação)
- Notificação compulsória imediata
Convulsão Febril
A convulsão febril é o distúrbio convulsivo mais comum na infância (2-5% das crianças), e é tema frequente de estação OSCE.
Classificação
| Característica | Simples | Complexa |
|---|---|---|
| Duração | <15 minutos | >15 minutos |
| Tipo | Tônico-clônica generalizada | Focal ou com componente focal |
| Recorrência em 24h | Não | Sim |
| Pós-ictal | Breve, recuperação rápida | Prolongado, paralisia de Todd |
| Investigação | Geralmente desnecessária | EEG, neuroimagem |
Conduta na estação OSCE
- Proteger a criança (decúbito lateral, afastar objetos)
- NÃO colocar objetos na boca
- Se crise >5 min: Diazepam retal 0,5 mg/kg (máx 10 mg) ou Midazolam bucal/nasal
- Identificar e tratar o foco infeccioso (causa da febre)
- Antitérmico (dipirona ou paracetamol)
- Orientar pais: prognóstico benigno, risco de recorrência (30%), não é epilepsia
Convulsão febril simples NÃO requer EEG, neuroimagem ou tratamento profilático com anticonvulsivantes. Muitos candidatos erram ao solicitar exames desnecessários.
Icterícia Neonatal
A icterícia neonatal é o tema neonatal mais cobrado no Revalida. É fundamental diferenciar icterícia fisiológica de patológica.
Fisiológica vs Patológica
| Característica | Fisiológica | Patológica |
|---|---|---|
| Início | Após 24h de vida | Nas primeiras 24h |
| Pico | 3-5º dia (RN a termo) | Precoce e rápido |
| Resolução | Até 14 dias | Persistente (>14 dias) |
| Bilirrubina | <12-13 mg/dL | >12-13 mg/dL ou >0,5 mg/dL/h |
| Bilirrubina direta | Normal | Elevada (>2 mg/dL) — investigar atresia biliar! |
Causas de icterícia patológica
- Precoce (<24h): Incompatibilidade ABO ou Rh, esferocitose, deficiência de G6PD
- Tardia (>14 dias): Icterícia do leite materno (benigna), hipotireoidismo, atresia de vias biliares
Tratamento
- Fototerapia: Indicada conforme nomograma de Bhutani (leva em conta idade gestacional, horas de vida e nível de bilirrubina)
- Exsanguinotransfusão: Em casos graves com risco de kernicterus
Estações OSCE de Pediatria Mais Comuns
Com base na análise das últimas edições, estas são as estações pediátricas mais frequentes:
| Estação | Frequência | O Que É Avaliado |
|---|---|---|
| Puericultura (consulta de rotina) | Muito alta | DNPM, alimentação, vacinação, orientações aos pais |
| Desidratação por diarreia | Alta | Classificação, plano de hidratação, orientação |
| Crise asmática/bronquiolite | Alta | Diagnóstico diferencial, manejo agudo, indicação de internação |
| Pneumonia na infância | Moderada-alta | Classificação OMS, escolha do ATB, indicação de internação |
| Convulsão febril | Moderada | Manejo agudo, orientação aos pais, saber NÃO solicitar exames desnecessários |
| Icterícia neonatal | Moderada | Diferenciação fisiológica vs patológica, indicação de fototerapia |
| Meningite | Baixa-moderada | Suspeita clínica, ATB empírico imediato, notificação |
Checklist do Examinador em Pediatria
O examinador do OSCE usa um checklist estruturado. Em estações de Pediatria, os itens mais pontuados são:
- Apresentação e acolhimento: Apresentar-se aos pais/responsáveis, chamar a criança pelo nome
- Anamnese direcionada: Queixa principal, cronologia, fatores associados, antecedentes
- Exame físico pertinente: Sinais vitais (incluindo FR), exame do aparelho relevante, avaliação do estado geral
- Hipótese diagnóstica: Verbalizar claramente a hipótese e diagnósticos diferenciais
- Conduta adequada: Tratamento correto, dose correta, via correta
- Orientações aos pais: Sinais de alarme, retorno, cuidados domiciliares
- Postura ética: Linguagem acessível, empatia, respeito à autonomia da família
Dicas de Comunicação com os Pais
A comunicação com os pais é um diferencial na nota OSCE. Muitos candidatos perdem pontos não por falta de conhecimento, mas por falhas na comunicação.
O que fazer
- Linguagem simples: "A barriguinha do seu filho está desidratada" em vez de "Há sinais de depleção volêmica"
- Envolver os pais: "A senhora notou quando começou a febre?" — faz os pais se sentirem parte do cuidado
- Validar preocupações: "Entendo sua preocupação, mãe. Vou examinar com cuidado e explicar tudo."
- Orientar sinais de alarme: Sempre ao final: "Se a criança parar de aceitar líquidos, ficar muito sonolenta ou a febre não baixar, volte imediatamente"
- Confirmar entendimento: "A senhora entendeu como preparar o soro? Pode me explicar como vai fazer?"
O que NÃO fazer
- Falar diretamente com a criança ignorando os pais (em lactentes e pré-escolares)
- Usar jargão médico sem explicar
- Demonstrar pressa ou impaciência
- Ignorar perguntas dos pais
- Fazer procedimentos na criança sem explicar antes aos pais
"Dona [nome], vou explicar o que está acontecendo com o [nome da criança], o que nós vamos fazer agora e o que a senhora precisa observar em casa. Pode ficar tranquila que vamos cuidar bem dele/dela."
Conclusão
A Pediatria no Revalida exige uma combinação de conhecimento técnico sólido e habilidades de comunicação com a família. Os temas se repetem consistentemente: puericultura, desidratação, doenças respiratórias e emergências pediátricas formam o núcleo do que é cobrado.
A chave para pontuar bem nas estações de Pediatria é sistematizar seu atendimento (apresentação → anamnese → exame físico → hipótese → conduta → orientações) e nunca esquecer que, na Pediatria, o paciente é a criança, mas a comunicação é com a família.