- Peso da GO na Prova
- Pré-Natal: Rotina de Exames e Classificação de Risco
- Emergências Obstétricas
- Trabalho de Parto: Fases, Partograma e Cesárea
- Diabetes Mellitus Gestacional
- Ginecologia: SUA, Miomas, Endometriose e Rastreio
- ISTs na Gestação
- Contracepção
- Estações OSCE de GO
- Tabela: Temas x Frequência por Edição
Ginecologia e Obstetrícia (GO) é, ao lado de Clínica Médica, a área de maior peso no Revalida INEP. Com aproximadamente 20% da prova, a GO exige domínio tanto de conceitos teóricos quanto de habilidades práticas — especialmente na prova OSCE, onde estações de pré-natal, partograma e emergências obstétricas são frequentes.
Este guia é um roteiro completo para direcionar seus estudos nos temas de GO mais cobrados, com foco em condutas baseadas nos protocolos do Ministério da Saúde.
Peso da GO na Prova (~20%)
Na análise das últimas edições do Revalida, a GO se distribui assim:
| Subárea | Peso Aproximado Dentro de GO |
|---|---|
| Obstetrícia (pré-natal, parto, puerpério) | 60-65% |
| Emergências obstétricas | 15-20% |
| Ginecologia geral | 15-20% |
| Contracepção e planejamento familiar | 5-10% |
A Obstetrícia domina claramente, o que faz sentido para um exame que avalia competências em atenção primária e emergências.
Pré-Natal: Rotina de Exames e Classificação de Risco
O pré-natal é o tema obstétrico mais cobrado no Revalida, tanto na prova objetiva quanto no OSCE. O protocolo de referência é o Caderno de Atenção Básica nº 32 — Atenção ao Pré-Natal de Baixo Risco (MS).
Consultas mínimas recomendadas
O MS preconiza no mínimo 6 consultas de pré-natal (idealmente mais):
- 1ª consulta: até 12 semanas (1º trimestre)
- Mensal até 28 semanas
- Quinzenal de 28 a 36 semanas
- Semanal a partir de 36 semanas
Exames de rotina do pré-natal
| Exame | 1º Trimestre | 2º Trimestre | 3º Trimestre |
|---|---|---|---|
| Hemograma | Sim | — | Sim (a partir de 28 sem) |
| Tipagem sanguínea + Rh | Sim | — | — |
| Coombs indireto (se Rh negativo) | Sim | Sim (28 sem) | Sim (mensal) |
| Glicemia de jejum | Sim | — | — |
| TOTG 75g | — | Sim (24-28 sem) | — |
| VDRL | Sim | — | Sim (28 sem e parto) |
| Anti-HIV | Sim | — | Sim (28 sem e parto) |
| HBsAg | Sim | — | Sim (28 sem) |
| Toxoplasmose (IgG/IgM) | Sim | Trimestral (se suscetível) | Trimestral (se suscetível) |
| Urina tipo I + Urocultura | Sim | Sim | Sim |
| Ultrassonografia obstétrica | Sim (datação) | Sim (morfológico) | Se indicação |
| Cultura para Streptococcus grupo B (GBS) | — | — | Sim (35-37 sem) |
Classificação de risco gestacional
Fatores que classificam o pré-natal como alto risco:
- HAS crônica ou pré-eclâmpsia prévia
- Diabetes pré-gestacional
- Cardiopatia materna
- Nefropatia
- Idade <15 ou >35 anos
- Gestação gemelar
- Isoimunização Rh
- Antecedente de prematuridade ou natimorto
- HIV positivo
- IMC ≥40 (obesidade mórbida)
Ácido fólico: 0,4 mg/dia (iniciar 3 meses antes da concepção até 12 semanas). Sulfato ferroso: 40 mg de ferro elementar/dia a partir de 20 semanas até 3 meses pós-parto.
Emergências Obstétricas
As emergências obstétricas são temas de alta incidência no Revalida, especialmente na prova OSCE. Dominar o manejo inicial é essencial.
Pré-eclâmpsia e Eclâmpsia
Pré-eclâmpsia: PA ≥140/90 mmHg após 20 semanas de gestação + proteinúria (≥300 mg/24h ou relação proteína/creatinina ≥0,3) OU disfunção de órgão-alvo.
Pré-eclâmpsia com sinais de gravidade:
- PA ≥160/110 mmHg
- Plaquetas <100.000
- Creatinina >1,1 mg/dL
- Elevação de transaminases (2x o normal)
- Edema pulmonar
- Sintomas visuais ou cerebrais (cefaleia intensa, escotomas, confusão)
Eclâmpsia: Convulsão tônico-clônica generalizada em gestante com pré-eclâmpsia.
Conduta na eclâmpsia (cobrada no OSCE)
- Sulfato de magnésio (MgSO4): Esquema de Zuspan: ataque 4g IV em 20 min + manutenção 1-2g/h em bomba de infusão
- Anti-hipertensivo: Hidralazina 5 mg IV (pode repetir a cada 20 min) ou Nifedipina 10 mg VO
- Monitorar sinais de intoxicação por magnésio: Reflexo patelar abolido, FR <16 irpm, diurese <25 mL/h. Antídoto: Gluconato de cálcio 10% 10 mL IV
- Resolução da gestação: O tratamento definitivo da eclâmpsia é o PARTO. Estabilizar e indicar cesárea ou indução.
Hemorragia Pós-Parto (HPP)
Definição: Perda sanguínea ≥500 mL no parto vaginal ou ≥1.000 mL na cesárea.
Causas (4 T's):
- Tônus: Atonia uterina (causa mais comum — 70%)
- Trauma: Lacerações do canal de parto, rotura uterina
- Tecido: Retenção placentária
- Trombina: Coagulopatia (CIVD, uso de anticoagulantes)
Conduta para atonia uterina:
- Massagem uterina bimanual
- Ocitocina 20-40 UI em 1.000 mL de SF IV
- Ergometrina 0,2 mg IM (contraindicada em hipertensas)
- Misoprostol 800 mcg retal
- Ácido tranexâmico 1g IV
- Balão intrauterino (balão de Bakri)
- Sutura de B-Lynch ou histerectomia (último recurso)
Descolamento Prematuro de Placenta (DPP)
- Quadro clássico: Dor abdominal súbita e intensa + sangramento vaginal escuro + hipertonia uterina (útero lenhoso) + sofrimento fetal
- Conduta: Amniotomia + parto via mais rápida. Se feto vivo e viável: cesárea de urgência. Se feto morto: preferir parto vaginal
- Lembrar: DPP é associado a HAS, uso de cocaína, trauma abdominal. NÃO fazer tocolíticos
Placenta Prévia
- Quadro clássico: Sangramento vaginal vermelho vivo, indolor, imotivado, recorrente, progressivo
- Diagnóstico: USG (não fazer toque vaginal!)
- Conduta: Depende da classificação e idade gestacional. Placenta prévia total/parcial: cesárea eletiva com 36-37 semanas. Sangramento grave: cesárea de urgência independente da IG
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Comece Grátis AgoraTrabalho de Parto: Fases, Partograma e Indicação de Cesárea
Fases do trabalho de parto
| Fase | Descrição | Duração Média |
|---|---|---|
| 1º período (dilatação) | Início do TP até dilatação completa (10 cm). Fase latente: até 4 cm. Fase ativa: 4-10 cm. | Primíparas: 12-16h. Multíparas: 6-8h |
| 2º período (expulsão) | Dilatação completa até nascimento do feto | Primíparas: até 2h. Multíparas: até 1h |
| 3º período (dequitação) | Nascimento até expulsão da placenta | Até 30 minutos |
| 4º período (Greenberg) | 1ª hora após dequitação (risco de HPP) | 1 hora |
Partograma
O partograma é a ferramenta gráfica para acompanhamento do trabalho de parto. Deve ser iniciado quando a gestante está na fase ativa (dilatação ≥4 cm + contrações regulares).
Elementos registrados:
- Dilatação cervical (linha de alerta e linha de ação — separadas por 4 horas)
- Descida da apresentação (planos de De Lee)
- Frequência cardíaca fetal
- Contrações uterinas (frequência e duração)
- Sinais vitais maternos
- Condição das membranas e líquido amniótico
Se a curva de dilatação cruza a linha de ação, há distócia e é necessário intervir: avaliar indicação de amniotomia, ocitocina ou cesárea. Este é um dos cenários mais cobrados em estações OSCE de GO.
Indicações de cesárea
Absolutas:
- Placenta prévia total
- DPP com feto vivo e viável (via mais rápida)
- Apresentação córmica (transversa)
- Prolapso de cordão com feto vivo
- Rotura uterina
- Herpes genital ativo no momento do parto
Relativas (avaliar caso a caso):
- Cesárea iterativa (2 ou mais cesáreas anteriores)
- Apresentação pélvica em primípara
- Macrossomia fetal (>4.500g em diabéticas, >5.000g sem DM)
- Sofrimento fetal agudo sem condição de parto vaginal iminente
- Falha de indução/distócia funcional
Diabetes Mellitus Gestacional (DMG)
Diagnóstico (critérios IADPSG/MS)
- Glicemia de jejum na 1ª consulta:
- <92 mg/dL: normal — solicitar TOTG entre 24-28 semanas
- 92-125 mg/dL: DMG
- ≥126 mg/dL: DM prévio (overt diabetes)
- TOTG 75g (24-28 semanas): DMG se qualquer valor alterado:
- Jejum ≥92 mg/dL
- 1h ≥180 mg/dL
- 2h ≥153 mg/dL
Conduta
- Dieta e exercício: 1ª linha. Acompanhamento nutricional, atividade física regular
- Monitorização glicêmica: Perfil glicêmico (jejum, pós-prandial 1h e 2h). Alvos: jejum <95 mg/dL, 1h pós-prandial <140 mg/dL
- Insulina: Se metas não atingidas com dieta em 2 semanas. Metformina pode ser usada como alternativa (controverso, mas aceito pelo MS)
- Parto: DMG controlado com dieta: parto com 39-40 semanas. DMG com insulina: parto com 38-39 semanas. Via de parto: preferência por vaginal
- Pós-parto: TOTG 75g com 6 semanas pós-parto para reclassificação
Ginecologia: SUA, Miomas, Endometriose e Rastreio de CA de Colo
Sangramento Uterino Anormal (SUA)
Classificação PALM-COEIN (FIGO):
- Estruturais (PALM): Pólipo, Adenomiose, Leiomioma, Malignidade
- Não estruturais (COEIN): Coagulopatia, Ovulatória, Endometrial, Iatrogênica, Não classificada
Leiomiomas (miomas)
- Tumores uterinos benignos mais comuns (20-40% das mulheres em idade reprodutiva)
- Classificação: subseroso (assintomático), intramural (SUA, dismenorreia), submucoso (SUA intenso, infertilidade)
- Tratamento: Expectante (assintomáticos), hormonal (ACO, progestágenos, análogos de GnRH), cirúrgico (miomectomia ou histerectomia)
Rastreamento de câncer de colo uterino
- Exame: Citopatológico do colo uterino (Papanicolaou)
- Início: 25 anos
- Periodicidade: Anual nos 2 primeiros, depois trienal (se normais)
- Término: 64 anos (se 2 exames normais consecutivos nos últimos 5 anos)
- Gestantes: Devem fazer Papanicolaou normalmente no pré-natal
ISTs na Gestação
As ISTs na gestação são tema frequente, especialmente sífilis e HIV.
Sífilis gestacional
- Rastreio: VDRL no 1º trimestre, 3º trimestre (28 sem) e no parto
- Tratamento: Penicilina benzatina — a única droga eficaz para prevenir sífilis congênita:
- Sífilis recente (<1 ano): 2.400.000 UI IM dose única
- Sífilis tardia ou indeterminada: 2.400.000 UI IM semanal por 3 semanas
- Parceiro: DEVE ser tratado simultaneamente
- Notificação compulsória: Sífilis gestacional é de notificação imediata
HIV na gestação
- TARV: Iniciar/manter TARV independente do CD4 e carga viral
- Via de parto: CV <1.000 cópias/mL com 34 semanas: parto vaginal permitido. CV ≥1.000 ou desconhecida: cesárea eletiva com 38 semanas
- AZT IV: No momento do parto (intraparto)
- Recém-nascido: AZT xarope por 4 semanas + Nevirapina (se CV materna >1.000). NÃO amamentar.
Contracepção
O tema contracepção aparece no Revalida com foco em:
- Critérios de elegibilidade da OMS: Categorias 1 a 4 para cada método
- Contracepção de emergência: Levonorgestrel 1,5 mg VO dose única (até 5 dias após relação)
- DIU de cobre: Método de longa duração, pode ser inserido no pós-parto imediato (até 48h ou após 4 semanas). Contraindicações: DIP ativa, anomalia uterina, CA cervical
- Laqueadura: Só permitida por lei em mulheres com 21 anos OU 2 filhos vivos, com consentimento informado e prazo de 60 dias entre manifestação e cirurgia. NÃO pode ser feita durante o parto (exceto em cesárea iterativa ≥2 e risco de vida)
Estações OSCE de GO
As estações de GO no OSCE mais frequentes nas últimas edições:
| Estação | Frequência | O Que É Avaliado |
|---|---|---|
| Consulta de pré-natal | Muito alta | Rotina de exames, classificação de risco, orientações |
| Interpretação de partograma | Alta | Identificar distócia, indicar conduta |
| Eclâmpsia/pré-eclâmpsia | Alta | Esquema de MgSO4, anti-hipertensivo, indicação de parto |
| HPP (hemorragia pós-parto) | Moderada-alta | 4 T's, sequência de tratamento da atonia |
| DMG (diagnóstico e conduta) | Moderada | Interpretação de TOTG, conduta nutricional e insulínica |
| Sífilis gestacional | Moderada | Diagnóstico, tratamento adequado, tratamento do parceiro |
| Coleta de Papanicolaou | Baixa-moderada | Técnica de coleta, periodicidade, conduta frente a resultados |
Tabela: Temas x Frequência por Edição
| Tema | 2022.1 | 2022.2 | 2023.1 | 2023.2 | 2024.1 | 2024.2 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Pré-natal | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim |
| Pré-eclâmpsia/Eclâmpsia | Sim | — | Sim | Sim | — | Sim |
| Partograma | — | Sim | Sim | — | Sim | Sim |
| DMG | Sim | Sim | — | Sim | Sim | — |
| HPP | — | Sim | — | Sim | — | Sim |
| Sífilis gestacional | Sim | — | Sim | — | Sim | — |
| DPP/Placenta prévia | Sim | — | — | Sim | — | Sim |
| Contracepção | — | Sim | Sim | — | Sim | — |
| Rastreio CA colo | Sim | — | — | Sim | — | Sim |
Se você tem tempo limitado, foque em: pré-natal + pré-eclâmpsia/eclâmpsia + partograma + DMG. Esses 4 temas sozinhos cobrem mais de 60% das questões de GO no Revalida.
Conclusão
Ginecologia e Obstetrícia no Revalida exige estudo sistemático e focado nos protocolos do Ministério da Saúde. A boa notícia é que os temas são previsíveis: pré-natal, emergências obstétricas e partograma dominam a prova há várias edições consecutivas.
Para a prova OSCE, o diferencial está em demonstrar segurança no manejo de emergências (eclâmpsia, HPP) e em saber conduzir uma consulta de pré-natal completa em poucos minutos. Treine com cronômetro e simulações práticas — a repetição é o que consolida o conhecimento em cenários de pressão.