ICC: Destaque Cardiovascular no Revalida

A insuficiência cardíaca (IC) é um dos temas cardiovasculares com maior peso no Revalida INEP. O examinador cobra classificação funcional (NYHA), diferenciação entre IC com fração de ejeção reduzida (ICFEr) e preservada (ICFEp), os quatro pilares terapêuticos que reduzem mortalidade e o manejo da IC descompensada. Saiba mais sobre HAS no Revalida.

A IC afeta cerca de 2 milhões de brasileiros, com incidência crescente pelo envelhecimento populacional. No Revalida, ela aparece como tema principal ou como comorbidade em cenários de HAS, IAM, valvulopatias e até cirurgia. Saiba mais sobre IAM no Revalida.

Para entender os fatores de risco que levam à IC, especialmente a hipertensão, confira nosso artigo sobre HAS no Revalida.

Classificação: NYHA e ACC/AHA

Existem duas classificações complementares que o Revalida cobra: a funcional (NYHA) e a evolutiva (ACC/AHA).

Classificação Funcional NYHA

ClasseSintomasExemplo prático
ISem limitação. Atividade habitual sem sintomasPaciente assintomático com ECO mostrando FE 30%
IILimitação leve. Sintomas com esforço habitualDispneia ao subir 2 andares
IIILimitação acentuada. Sintomas com esforço mínimoDispneia ao caminhar no plano 100m
IVSintomas em repousoOrtopneia, DPN, edema refratário

Classificação Evolutiva ACC/AHA

EstágioDescriçãoConduta
ARisco de IC sem doença estrutural ou sintomasTratar fatores de risco (HAS, DM, tabagismo)
BDoença estrutural sem sintomas de ICIECA + betabloqueador (se ICFEr assintomática)
CDoença estrutural com sintomas atuais ou préviosTratamento completo (4 pilares)
DIC refratária ao tratamento otimizadoDispositivos de assistência ventricular, transplante
Diferença crucial

A classificação NYHA é DINÂMICA (muda com o tratamento). A ACC/AHA é PROGRESSIVA (nunca regride). Um paciente estágio C pode estar em NYHA I (assintomático com tratamento otimizado), mas nunca voltará ao estágio B.

ICFEr: Os Quatro Pilares que Reduzem Mortalidade

A ICFEr (FE ≤ 40%) é o fenótipo mais cobrado no Revalida. O tratamento baseia-se em quatro classes de drogas que comprovadamente reduzem mortalidade e devem ser iniciadas simultaneamente (ou o mais rápido possível):

  1. IECA ou BRA (ou sacubitril-valsartana): Reduzem pré e pós-carga, remodelamento cardíaco. Sacubitril-valsartana é superior ao IECA isolado (estudo PARADIGM-HF).
  2. Betabloqueador (carvedilol, bisoprolol ou metoprolol succinato): Reduzem FC, remodelamento e morte súbita. Iniciar em dose baixa, titular lentamente. NÃO iniciar na descompensação aguda.
  3. Antagonista mineralocorticoide (espironolactona ou eplerenona): Reduz fibrose cardíaca e mortalidade. Estudo RALES. Monitorar potássio (risco de hipercalemia).
  4. Inibidor de SGLT2 (dapagliflozina ou empagliflozina): Adição mais recente. Estudos DAPA-HF e EMPEROR-Reduced. Benefício independente de diabetes.
O que NÃO reduz mortalidade

Furosemida (diurético de alça): alivia congestão mas NÃO reduz mortalidade. Digoxina: reduz internação mas NÃO reduz mortalidade. Se a prova perguntar "qual droga reduz mortalidade na ICFEr?", furosemida e digoxina são distratores.

A hidralazina + nitrato é alternativa ao IECA/BRA em pacientes com contraindicação (insuficiência renal grave, hipercalemia) ou como adição em negros (estudo A-HeFT).

ICFEp: O Desafio Diagnóstico

A IC com fração de ejeção preservada (ICFEp, FE ≥ 50%) é mais difícil de diagnósticar e tratar. O Revalida cobra o reconhecimento do quadro e a distinção da ICFEr.

Perfil típico da ICFEp: mulher, idosa, hipertensa, obesa, com dispneia aos esforços e ECO com FE normal. O diagnóstico requer: (1) sintomas de IC, (2) FE ≥ 50%, (3) evidência de disfunção diastólica ou elevação de BNP/NT-proBNP.

O tratamento da ICFEp é menos definido que o da ICFEr. As evidências recentes (estudo EMPEROR-Preserved) mostraram benefício dos iSGLT2 na ICFEp, sendo a primeira classe com evidência de redução de desfechos neste fenótipo.

IC Descompensada: Manejo na Emergência

A IC descompensada é um cenário frequente no Revalida, tanto na prova objetiva quanto na OSCE. O candidato deve saber classificar o perfil hemodinâmico e instituir tratamento imediato.

Classificação de perfil hemodinâmico (Stevenson)

PerfilCongestãoPerfusãoConduta
A (quente e seco)NãoAdequadaAjustar médicação VO
B (quente e úmido)SimAdequadaDiurético IV (furosemida) + vasodilatador
C (frio e úmido)SimBaixaInotrópico (dobutamina) + diurético + vasodilatador cauteloso
L (frio e seco)NãoBaixaVolume cauteloso + considerar inotrópico

O perfil B (quente e úmido) é o mais comum e cobrado. Conduta: furosemida IV em bolus (iniciar 20-40mg, dobrar se não responder em 2h), vasodilatador (nitroglicerina se PAS > 110), manter IECA e betabloqueador (reduzir dose se hipotensão, mas NÃO suspender o betabloqueador abruptamente).

Dica de prova OSCE

Na estação prática, o examinador espera que você identifique sinais de congestão: estase jugular a 45°, refluxo hepatojugular, crepitantes bibasais, B3 (galope ventricular), edema de MMII com cacifo. A ausculta de B3 é práticamente patognomônica de IC.

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