Introdução: HAS no Revalida INEP

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é o tema cardiovascular mais cobrado no Revalida INEP. Presente em práticamente todas as edições, a HAS aparece tanto na prova objetiva quanto em estações OSCE, exigindo do candidato domínio completo sobre diagnóstico, classificação, metas terapêuticas e manejo de crises hipertensivas. Saiba mais sobre ICC no Revalida.

As doenças cardiovasculares respondem por cerca de 30% dos óbitos no Brasil, e a HAS é o principal fator de risco modificável. O INEP cobra as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial (DBHA 2020), com ênfase nas metas de pressão arterial estratificadas por risco cardiovascular e nas indicações de cada classe de anti-hipertensivo. Saiba mais sobre IAM no Revalida.

Neste guia, abordaremos a classificação da PA, as metas de tratamento, as cinco classes de anti-hipertensivos de primeira linha, as contraindicações clássicas cobradas em prova e o manejo de emergência e urgência hipertensiva. Para aprofundar o tema cardiovascular, leia nosso artigo sobre insuficiência cardíaca no Revalida.

Dado estatístico

Nas últimas 6 edições do Revalida (2022.1 a 2025.1), a HAS apareceu direta ou indiretamente em 100% das provas, com média de 2-3 questões por edição.

Classificação da Pressão Arterial

A classificação brasileira segue as DBHA 2020 e difere parcialmente das diretrizes americanas (ACC/AHA 2017). O Revalida utiliza a classificação brasileira, portanto é fundamental memorizá-la.

ClassificaçãoPAS (mmHg)PAD (mmHg)
PA ótima< 120< 80
PA normal120-12980-84
Pré-hipertensão130-13985-89
HAS Estágio 1140-15990-99
HAS Estágio 2160-179100-109
HAS Estágio 3≥ 180≥ 110

A classificação é feita pela MAIOR cifra encontrada. Se a PAS indica estágio 1 e a PAD indica estágio 2, o paciente é classificado como estágio 2. São necessárias pelo menos duas medidas em consultas diferentes para o diagnóstico, exceto se PA ≥ 180/110 ou se há lesão de órgão-alvo.

A MAPA (Monitorização Ambulatorial da PA) e a MRPA (Monitorização Residencial) são métodos complementares importantes. O Revalida pode cobrar os valores de referência: MAPA vigília ≥ 135/85, MAPA sono ≥ 120/70, MAPA 24h ≥ 130/80.

Pegadinha de prova

Hipertensão do jaleco branco (PA elevada no consultório com MAPA normal) NÃO é HAS e NÃO requer tratamento médicamentoso. Hipertensão mascarada (PA normal no consultório com MAPA elevada) É HAS e requer tratamento. O Revalida já cobrou essa distinção.

Metas Terapêuticas Estratificadas

As metas de PA variam conforme o perfil de risco cardiovascular do paciente. Este é um dos pontos mais cobrados no Revalida e exige memorização precisa.

Perfil do PacienteMeta de PAObservação
Hipertenso sem comorbidades< 140/90 mmHgMeta geral padrão
Alto risco CV (3+ fatores)< 130/80 mmHgMeta mais agressiva
Diabéticos< 130/80 mmHgProteção micro e macrovascular
DRC com albuminúria< 130/80 mmHgNefroproteção
Idosos frágeis (> 80 anos)< 150/90 mmHgEvitar hipotensão postural
Pós-AVC ou AIT< 130/80 mmHgPrevenção secundária
Gestantes< 140/90 mmHgMeta menos agressiva na gestação

A individualização é fundamental: em idosos frágeis com risco de queda, metas mais liberais (< 150/90) são aceitáveis. O Revalida frequentemente apresenta casos de pacientes idosos para testar se o candidato sabe quando NÃO ser agressivo no tratamento.

Anti-hipertensivos de Primeira Linha

As cinco classes de anti-hipertensivos de primeira linha são: IECA (Inibidores da ECA), BRA (Bloqueadores do Receptor de Angiotensina), BCC (Bloqueadores dos Canais de Cálcio), diuréticos tiazídicos e betabloqueadores. A escolha depende do perfil do paciente.

ClasseExemplosIndicação preferencialContraindicação absoluta
IECAEnalapril, Captopril, RamiprilDM, DRC com proteinúria, ICCGestação, hipercalemia, estenose bilateral de artéria renal
BRALosartana, Valsartana, CandesartanaMesmas do IECA + intolerância a IECA (tosse)Gestação, hipercalemia
BCCAnlodipino, NifedipinoNegros, idosos, HAS sistólica isoladaICC com FE reduzida (verapamil/diltiazem)
TiazídicoHidroclorotiazida, Indapamida, ClortalidonaNegros, idosos, osteoporoseGota, hipocalemia grave
BetabloqueadorAtenolol, Metoprolol, CarvedilolICC, pós-IAM, taquiarritmiasAsma/DPOC grave, BAV 2º/3º grau, bradicardia

A combinação IECA + BRA (duplo bloqueio do SRAA) é CONTRAINDICADA — aumenta risco de hipercalemia, hipotensão e insuficiência renal sem benefício cardiovascular adicional. O estudo ONTARGET demonstrou isso de forma definitiva.

Regra de ouro para a prova

IECA e BRA são TERATOGÊNICOS — NUNCA usar em gestantes. Na gestação, as opções seguras são metildopa (1ª escolha), nifedipino e hidralazina. Este é um dos erros que eliminam o candidato na prova.

Para pacientes que não atingem a meta com monoterapia, a combinação preferida é IECA (ou BRA) + BCC ou IECA (ou BRA) + tiazídico. A tríplice (IECA/BRA + BCC + tiazídico) é o próximo passo. Se ainda refratária, adicionar espironolactona (4ª droga).

Emergência vs Urgência Hipertensiva

A distinção entre emergência e urgência hipertensiva é um clássico do Revalida. A diferença NÃO está no nível de PA, mas na presença ou ausência de lesão de órgão-alvo (LOA).

CaracterísticaEmergência HipertensivaUrgência Hipertensiva
DefiniçãoPA elevada + LOA agudaPA elevada SEM LOA
PA típica≥ 180/120 mmHg (mas pode ser menor)≥ 180/120 mmHg
LOASim: EAP, IAM, AVC, dissecção aórtica, encefalopatiaNão
Via de administraçãoIV (endovenosa)VO (via oral)
Local de tratamentoUTI ou emergênciaAmbulatório / observação
Velocidade de reduçãoMáximo 25% na 1ª horaReduzir em 24-48 horas
DrogasNitroprussiato, nitroglicerina, labetalol IVCaptopril VO, clonidina VO

Na emergência hipertensiva, o objetivo é reduzir a PA em no máximo 25% na primeira hora, depois gradualmente até 160/100 nas próximas 2-6 horas. Redução abrupta pode causar isquemia cerebral, renal ou coronariana.

Exceção importante

Na dissecção aguda de aorta, a meta é PA < 120/80 e FC < 60 bpm na PRIMEIRA HORA, usando betabloqueador IV (esmolol ou labetalol) + nitroprussiato. É a única situação em que a redução agressiva é mandatória.

HAS Secundária: Quando Investigar

O Revalida cobra a suspeita de HAS secundária em cenários específicos. As causas mais cobradas são hiperaldosteronismo primário, feocromocitoma, estenose de artéria renal e coarctação de aorta.

Quando investigar: HAS antes dos 30 anos ou após 55 anos, HAS refratária a 3 drogas, HAS com hipocalemia espontânea, HAS acelerada/maligna, assimetria renal > 1,5 cm.

Questões Modelo e Dicas Finais

Para consolidar seu conhecimento sobre HAS no Revalida, pratique questões que integrem os conceitos abordados. Para treinar estações práticas, veja nosso guia sobre exame físico cardiovascular na OSCE.

Resumo dos pontos-chave

Meta geral < 140/90, alto risco < 130/80. IECA/BRA para DM e DRC. Nunca IECA+BRA juntos. Nunca IECA/BRA na gestação. Emergência = LOA = IV. Urgência = sem LOA = VO. Dissecção aórtica = PA < 120/80 em 1h.

Pratique Questões de HAS no Padrão INEP

O Aprova na MED tem dezenas de questões sobre hipertensão arterial no formato do Revalida, com gabarito comentado e estatísticas de acerto. Teste seu conhecimento agora.

Iniciar Grátis Agora

Leia também