Diabetes Tipo 2: Um dos Temas Mais Cobrados

O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é um dos cinco temas mais frequentes no Revalida INEP. Além de questões diretas sobre diagnóstico e tratamento, o DM2 aparece como comorbidade em cenários de cardiologia, nefrologia, infectologia e cirurgia, tornando seu domínio indispensável. Saiba mais sobre HAS no Revalida.

O Brasil tem mais de 17 milhões de adultos com diabetes, sendo o 5º país em prevalência mundial. O INEP cobra as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD 2023-2024), com ênfase no algoritmo terapêutico escalonado e nas metas individualizadas de HbA1c. Saiba mais sobre CAD no Revalida.

Para compreender as complicações cardiovasculares do diabetes, recomendamos a leitura do nosso artigo sobre hipertensão arterial no Revalida, já que 70-80% dos diabéticos são hipertensos.

Critérios Diagnósticos de DM2

O diagnóstico de DM2 requer um dos seguintes critérios, confirmados em duas ocasiões diferentes (exceto se sintomas clássicos + glicemia ao acaso ≥ 200):

ExameNormalPré-diabetesDiabetes
Glicemia de jejum< 100 mg/dL100-125 mg/dL≥ 126 mg/dL
TOTG 75g (2h)< 140 mg/dL140-199 mg/dL≥ 200 mg/dL
HbA1c< 5,7%5,7-6,4%≥ 6,5%
Glicemia ao acaso≥ 200 + sintomas clássicos

Os sintomas clássicos são os 4 Ps: poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso. Na presença de sintomas + glicemia ao acaso ≥ 200 mg/dL, um único exame confirma o diagnóstico.

Pegadinha frequente

Dois exames DIFERENTES alterados na MESMA amostra confirmam o diagnóstico (ex: glicemia de jejum ≥ 126 + HbA1c ≥ 6,5%). Não é necessário repetir. Mas um ÚNICO exame alterado precisa de confirmação em outra amostra.

Metas Terapêuticas Individualizadas

A meta de HbA1c não é universal — deve ser individualizada conforme idade, duração do diabetes, comorbidades e risco de hipoglicemia.

PerfilMeta HbA1cJustificativa
Adulto jovem, DM recente, sem complicações< 6,5%Prevenção de complicações microvasculares
Adulto de meia-idade, DM moderado< 7,0%Meta geral da maioria das diretrizes
Idoso saudável (> 65 anos)< 7,5%Equilíbrio entre benefício e risco de hipoglicemia
Idoso frágil, múltiplas comorbidades< 8,0-8,5%Evitar hipoglicemia, que é mais perigosa que hiperglicemia moderada
Gestante com DM prévio< 6,0%Reduzir risco de malformações fetais

A glicemia de jejum alvo é 80-130 mg/dL e a glicemia pós-prandial (2h) < 180 mg/dL para a maioria dos pacientes. Em idosos frágeis, aceita-se glicemia de jejum até 150 mg/dL.

Algoritmo Terapêutico: Do Diagnóstico à Insulina

O tratamento do DM2 segue um algoritmo escalonado, começando com mudanças no estilo de vida (MEV) + metformina e progredindo conforme a resposta terapêutica.

  1. Passo 1 — MEV + Metformina: Metformina 500-2550mg/dia é a droga de escolha universal. Iniciar com dose baixa para reduzir efeitos GI. Contraindicada se TFG < 30 mL/min.
  2. Passo 2 — Adicionar 2ª droga: Se HbA1c acima da meta após 3 meses com metformina otimizada. Opções: iSGLT2 (se DCV ou DRC), análogo GLP-1 (se obesidade ou DCV), sulfonilureia (se custo é fator), iDPP-4 (se risco de hipoglicemia), pioglitazona.
  3. Passo 3 — Terapia tripla ou insulina basal: Se persistir acima da meta com 2 drogas. Insulina basal (NPH noturna ou glargina) é indicada quando HbA1c > 9% com sintomas.
  4. Passo 4 — Insulinização plena: Basal-bolus (NPH ou glargina + regular ou lispro às refeições) quando basal isolada é insuficiente.
Mudança recente cobrada no Revalida

Os inibidores de SGLT2 (dapagliflozina, empagliflozina) e os análogos de GLP-1 (liraglutida, semaglutida) ganharam destaque nas últimas edições por reduzirem mortalidade cardiovascular e progressão de DRC, independentemente do controle glicêmico. Se o paciente tem DCV ou DRC, essas classes são PRIORITÁRIAS.

Complicações Crônicas do DM2

O Revalida cobra rastreamento e manejo das complicações microvasculares (retinopatia, nefropatia, neuropatia) e macrovasculares (IAM, AVC, DAP).

ComplicaçãoRastreamentoFrequênciaPrevenção
Retinopatia diabéticaFundoscopia com pupila dilatadaAnual (DM2: ao diagnóstico)Controle glicêmico + PA
Nefropatia diabéticaAlbuminúria + TFG (creatinina)AnualIECA ou BRA se albuminúria + iSGLT2
Neuropatia periféricaMonofilamento 10g + diapasão 128HzAnualControle glicêmico + cuidados com pés
Pé diabéticoInspeção dos pés + monofilamentoToda consultaEducação, calçados adequados, podologia
Doença cardiovascularAvaliação de risco CV (escore)AnualEstatina + anti-hipertensivo + AAS se indicado

No DM2, o rastreamento de complicações começa AO DIAGNÓSTICO (diferente do DM1, onde começa 5 anos após). Isso porque muitos pacientes já têm anos de hiperglicemia assintomática ao diagnóstico.

Para entender a complicação renal do diabetes em detalhes, veja nosso artigo sobre insuficiência renal no Revalida.

Cetoacidose Diabética vs Estado Hiperosmolar

Embora a cetoacidose seja mais comum no DM1, pode ocorrer no DM2 em situações de estresse (infecção, cirurgia). O estado hiperosmolar hiperglicêmico (EHH) é mais típico do DM2.

ParâmetroCetoacidose DiabéticaEstado Hiperosmolar
Glicemia> 250 mg/dL> 600 mg/dL
pH arterial< 7,3> 7,3
Bicarbonato< 18 mEq/L> 18 mEq/L
Cetonúria/cetonemiaPresenteAusente ou leve
OsmolaridadeVariável> 320 mOsm/kg
Nível de consciênciaAlerta a comaFrequentemente coma
Mortalidade1-5%10-20%

O tratamento de ambas segue o mesmo princípio: hidratação vigorosa (SF 0,9% 1-1,5L na 1ª hora) + insulina regular IV em bomba + reposição de potássio (se K < 5,2 mEq/L). Para detalhes, veja nosso artigo sobre cetoacidose diabética no Revalida.

Dicas Finais e Questões-Chave

Resumo para a prova

Diagnóstico: GJ ≥ 126 ou HbA1c ≥ 6,5% (confirmar em 2 amostras). Meta geral: HbA1c < 7%. Metformina é 1ª escolha universal. iSGLT2 e GLP-1 se DCV/DRC. Rastrear complicações ao diagnóstico no DM2. IECA/BRA se albuminúria. Nunca esquecer fundoscopia anual.

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